Peças Soltas

as peças de teatro de Jorge Louraço Figueira …e não só

Qual Fox, qual AXN, qual quê…

 

Esta é que é a série do momento. Para ver antes, durante ou depois – mas, por favor, nunca em vez de.

Fifteen man on the dead man’s chest

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Yo-ho-ho and a bottle of rum! A Teresa Alpendurada e o Flávio Hamilton nos ensaios de «História da Ilha do Tesouro de Stevenson», uma produção do Teatro Art’Imagem (com estreia apontada para Setembro de 2009), inspirada na Treasure Island do autor escocês.

Vingança poética

Sobre Êxodos, do Folias (estreia apontada para Setembro de 2009)

O espectáculo Êxodos está a ser preparado a partir de um primeiro guião que foi esboçado durante cerca de um mês e meio, a partir de uma pesquisa de materiais feita durante o ano anterior, e através de uma escrita colectiva mesmo: todas as cenas têm  as mãos de duas, três, quatro pessoas, que durante esses dias escreveram, reescreveram, cortaram, editaram e apagaram em conjunto. Esta é a primeira de uma série de coincidências felizes: o processo criativo espelha o processo de colaboração entre desconhecidos, que é uma das facetas dos mundos dos migrantes. E apesar de a maioria da equipa de Êxodos trabalhar junta há anos, não se podendo dizer que sejam estranhos, a equipa incluía também recém-chegados, entre os quais dois estrangeiros certificados (um basco e um português). Esta é outra das coincidências, o facto de o tema das migrações internacionais ser trabalhado por uma equipa razoavelmente internacional e cosmopolita. E outra: a estrutura dramática é fragmentada, como supomos que seja a experiência dos nómadas contemporâneos, em curtas, pequenas, breves, minúsculas cenas. As personagens nunca se conheceram antes, mas partilham uma certa identidade comum, às vezes a língua, certamente as circunstâncias. A penúltima das coincidências: o espectáculo tenta retratar o modo como as coisas parecem andar todas ligadas, como se uma ordem superior pudesse dar sentido ao mundo, fazer justiça poética, e de caminho dar-nos alguma esperança. Mesmo um europeu céptico como eu, ao verificar todas as coincidências significativas que rodearam este projecto desde a primeira hora, e o modo como a vida se foi encarregado de tudo, é claro que fica mais supersticioso que antes.

A última coincidência é mais funesta. Êxodos faz eco, por entre os contos e as palavras de Garcia Marquez e as fotos e legendas de Sebastião Salgado, de alguns excertos da Bíblia e de alguns requiem (Mozart, Britten, Glass). No nosso espectáculo, uma personagem pivô, na forma de anjo-narrador, sugere a figura do artista que revê a vida em retrospectiva. É como se os anjos, habituados a falar com as pessoas durante o sono, em sonhos, estivessem perdidos nos sonhos do início do milénio, sem reconhecer os caminhos e as portas, e sem chaves para entrar nessas casas que habitamos enquanto dormimos; e assim sendo, perdessem a capacidade de voar, as asas ossificando lentamente até ao dia em que não batem mais; e como se estes deuses abandonados quisessem perceber o que está a acontecer, e este espectáculo fosse a última vontade do anjo-narrador. A figura do artista revisita os seus passos. Inspirações maiores para esta fábula foram Sonhos, de Akira Kurosawa, ou 8 1/2, de Fellini, claro. O falecimento de Reinaldo Maia, cujo carreira artística encaixa neste perfil, veio trazer uma amarga verdade a tudo isto, e iluminar ainda mais de negro os passos dos migrantes. Mas que justiça haverá nisto? A aventura dos migrantes é uma metáfora da condição dos artistas de teatro, claro, mas sobretudo da dos cidadãos das nações modernas, exilados na própria terra. Quando o destino de um artista coincide com o destino da sua sociedade, será compensador ou não (em vida), mas salva-lo-á (na morte).

Na despedida do cabaretier-mor

Reinaldo MaiaPara o Maia: na costa de Portugal os homens são enterrados à vista de grandes muros caiados de branco, e as mulheres arranjam as flores nos túmulos como se tentassem guardar os corpos longe do mar. Quem, por um momento, espreita os muros (mesmo com mau tempo a luz fere e obriga a desviar o olhar), pode ver que, por trás deles, a massa do Atlântico aguarda paciente a hora em que nos iremos encontrar no fundo do mar. Até à vista.

Cabaré da Santa na ESMAE

De Quarta-feira, 18, a Sábado, 21 de Março, às 21h30, no Café-concerto da ESMAE (à Rampa da Escola Normal).

Regresso ao Cabaré

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A pedido de várias famílias (o elenco tem treze pessoas!),  o CABARÉ DA SANTA regressa ao café-teatro da Oficina Municipal de Teatro, em Coimbra, para uma curta carreira, de 16 de Janeiro a 1 de Fevereiro, às sextas, sábados e domingos. Em Março o show estará no Porto, para algumas noites no café-concerto da ESMAE (à Rampa da Escola Normal).

É numa rua bizarra… Cabaré, revista, cegada!

É já quarta-feira, na OFICINA MUNICIPAL DO TEATRO, em Coimbra, que estreia a versão portuguesa do Cabaré da Santa. Fica de quarta a sábado às 21h30, e aos domingos às 19h. Santa Cecília, o Abade de Trancoso, D. João VI, Mendes Fradique, Bento Teixeira e a famosa Mariquinhas, cantada por Alfredo Marceneiro, são algumas das personagens históricas que povoam este Cabaré sobre a história e a cultura de Portugal e do Brasil. Servem-se bebidas durante o espectáculo, o que sempre é uma garantia. Dia 10 é apresentado no Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia. Mais informações no blogue do Teatrão.

Exercícios de Botânica

A revolução nas ruas da Corunha

No final de Finisterra, os performers saíram porta fora e no écrã foi projectado este clip, filmado no dia anterior. Fartos de tentar usar a Fita do Tempo e o Plano Geral das Operações de Otelo como manual de instruções, os Formadores de Formadores em Técnicas Revolucionárias de Abril saem para a rua sem plano nenhum. No início da performance tinha-se perguntado aos espectadores galegos para que dia queriam marcar o seu 25 de Abril. Afinal era para já.

Verás que tudo é verdade

São histórias de um grupo de teatro na cidade de Sao Paulo. Verás que tudo é verdade: uma década de Folias (1997-2007), de Jorge Louraço Figueira, com artigos de Iná Camargo Costa, Valmir Santos, Beth Néspoli e Maria Silvia Betti, foi lançado dia 1 de Maio, no Galpão do Folias (após uma sessão especial do Cabaré da Santa). O livro descreve a trajectória de um punhado de aventureiros que, a bordo de um galpão, impõem a arte teatral como experiência do real − no mesmo mundo em que, no estertor das ideologias, predominam agora as narrativas reais e fictícias dos media industriais. Documentando com ironia e apego o heroísmo de vários grupos e artistas na luta pela democratização cultural em São Paulo (a maior cidade de língua portuguesa), o retrato do Folias é acompanhado de um olhar atento às mudanças históricas, culturais e artísticas no Brasil da viragem do milénio. 

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