Balanço de 2007

1. O Resto do Mundo, a partir de Joseph Conrad, pelo Visões Úteis. É apenas uma viagem de táxi para três pessoas, e seria injusto compará-la com os outros espectáculos, mas pelo menos este faz algum sentido. Embora pareça ficção, o táxi é a sério, a cintura externa do Porto existe, e o dia escurece durante o percurso. As consequências são reais no que a ficção pode ter de real. A imaginação e a memória do espectador mudam. Depois da performance, nada continua na mesma. As palavras de Conrad e a arte da companhia iluminam agora «o Porto para lá da circunvalação».

2. Turismo Infinito, a partir de Fernando Pessoa, pelo TNSJ. É um teatro dentro da cabeça de Fernando Pessoa, onde ressoa a constelação de poemas e heterónimos, ao ponto de começar a ressoar na nossa cabeça. O espectáculo assenta no poder das palavras e em pequenos artifícios teatrais, de absoluta potência cénica. Pessoa é um dos nossos heróis literários e é essa imagem do artista que é tudo, metáfora da cidadania, espelho das crises e contradições do século XX, que é fixada e redobrada neste espectáculo.

3. Libração, de Llüisa Cunillé, pel’ As Boas Raparigas. Um dramaturgia minimal sobre o medo e o desejo do Outro que assenta como uma luva na geração que teria trinta anos no ano 2000 e que, com a passagem dos anos, parece destinada a procurar a fé e a esperança em visitas nocturnas a parques infantis. Nada a fazer? Solitárias, as mulheres desta peça esperaram tanto por algum ser imaginário que as salvasse que deixaram de saber reconhecer as pessoas e as coisas reais.

[Na versão publicada, estes espectáculos foram intercalados com os do balanço de Lisboa. A lista geral era a seguinte: 1. Gatz, a partir de F. Scott Fitzgerald, pelo Elevator Repair Service; 2. Contos em Viagem / Cabo Verde, a partir de vários autores, pelo Teatro Meridional; 3. A Minha Mulher, de José Maria Vieira Mendes, pelo Teatro Nacional Dona Maria II (prémio António José da Silva); 4. Mnemopark, pelo Rimini Protokoll; 5. O Resto do Mundo, a partir de Conrad, pelo Visões Úteis; 6. Júlio César, de Shakespeare, pelo Teatro da Cornucópia; 7. Turismo Infinito, a partir de Pessoa, pelo TNSJ e Correspondência a Três, a partir de Rilke, Pasternak e Marina Tsvetaeva, por Inês de Medeiros; 8. Hamelin, de Juan Mayorga, pelos Artistas Unidos, e Libração, de Llüisa Cunillé, pel’As Boas Raparigas; 9. O Construtor Solness, de Ibsen, pelo Teatro da Cornucópia; 10. Disco Pigs, de Enda Walsh, pelos Artistas Unidos, e Foder e Ir às Compras, de Mark Ravenhill, pelos Primeiros Sintomas.]

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: