Mais financiamento público, mais República?

Este quadro foi gerado no Pordata (portanto confio nos dados) e mostra a possível relação entre o número de espectadores de teatro e as despesas do Estado (neste caso apenas da Administração Local – despesas correntes e de capital).  Haverá muitas críticas a fazer a essas despesas e ao resultado delas, e eu sou dos primeiros a fazê-las, mas uma coisa parece certa: mais financiamento público, mais público. Logo, mais República? Talvez.

Vale a pena reler a citação de Joshua Sofaer, precisamente em entrevista ao Público: «Logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, quando a Inglaterra quis diminuir os gastos com a cultura, o Winston Churchill (não acredito que estou a citar o Winston Churchill) perguntou: então para que é que estivemos a lutar?»

Ariane Mnouchkine, em entrevista à Camarim, onde recorda que os planos de dinamização cultural da França foram feitos no seio da Resistência, ainda durante a guerra, conclui: «Porque na França a situação cultural vem de um sonho, não de uma legítima reivindicação (…) Efetivamente depois da guerra, pessoas maravilhosas como Jean Dasté, Hubert Gignoux, pegam suas mochilas e suas coisas e vão a Strasbourg, a Saint-Étienne com suas trupes, com os seus grupos de atores. E de uma certa maneira eles vão civilizar a França.» E nós o que é que temos de fazer?

Tudo isto vem a propósito do descaso com que o financiamento público ao teatro (não) tem sido feito este ano, mas sobretudo com as justificações dadas para os cortes e atrasos pela Ministra da Cultura. A pretexto da crise, as actividades culturais estão a ser atiradas para a esfera dos negócios particulares. O mercado é a entidade mítica cuja mão invisível tudo fará. Ao mesmo tempo, ambiciona-se a criação de uma rede de teatros que funcionarão como pólos artísticos, mas cujo objectivo é… criar esse mercado. Com que sonham os Ministros da Cultura? Para que é que lutam? O grupo Jerónimo Martins cria uma fundação que lança um projecto como o Pordata; a Ministra da Cultura aposta numa rede de super-mercados. É a cigarra que se tornou formiga.

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2 thoughts on “Mais financiamento público, mais República?

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  1. Olá Jorge,
    Eu já estava a ficar preocupada, de tanto entrar no site do Ministério e constatar isto mesmo : que este ano o teatro ficou entregue à própria sorte. Vinda dos movimentos barulhentos de São Paulo que você conhece bem, andava a me perguntar o que pensa a malta do teatro local. De todo modo, estou aqui com um projeto que mostro a todo mundo na esperança de encontrar parceiros. Se você me fizer a gentileza de lê-lo, ser-te-ei grata. Por favor, envie para meu email (soutoprodarte@gmail.com) seu contacto para isto, se for o caso, é claro. Abraços. Ana Souto.

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