Venho de ver… [6 Jul]

Todos os grandes governos evitaram o teatro íntimo, no Festival de Almada.

A versão de Hedda Gabler apresentada pelos actores de Veronese é fulgurante porque reconstitui um sentido de urgência que o realismo de Ibsen tem no original, mas que os nossos hábitos de narrativa audiovisual (no minimo depois de À Bout de Souffle) já não nos permitem apreciar tão bem. Pelo contrário, a versão enxuta dos conflitos feita pelos argentinos puxa-nos para dentro da acção como se imagina que Ibsen queria. Cut to the chase. Não há tempo a perder com entradas pela direita e saídas pela esquerda. Ao mesmo tempo, o espectáculo é uma espécie de objecto ready-made, porque os actores e as personagens parecem ter estado sempre nos mesmos corpos, à espera de serem expostos neste cenário. (Na adaptação, Veronese colocou as personagens a viver temporariamente num cenário usado.) Os actores assumem tanto as acções das personagens, como vários comentários à cena que rompem momentaneamente o véu ficcional, chamando assim a atenção para o facto de estarmos perante um acto deliberado de teatro.

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