CULPA E GOZO (MIRADA 2012)

Domingo é o dia dos histéricos passeaream no parque. No nosso caso, incluiu um passeio de barco até à outra margem, mais propriamente à fortaleza da barra de Santos, construída em 1584, onde o grupo XIX apresentou Hysteria. A peça é como o Vinho do Porto, melhora com a idade. Estreada há doze anos, e mesmo com a mudança de actrizes, funciona como uma máquina de precisão sentimental e ideológica. A singeleza do trato das actrizes com os espectadores e a inteligência arguta da encenação e da dramaturgia, a partir de testemunhos e documentos reais, funcionarão ainda durante muito tempo. Por felicidade, foi nesta mesma fortaleza que Luiz Fernando Marques, o encenador, e Juliana Sanches, actriz fundadora do grupo, tiveram as primeiras aventuras artísticas.

Sábado à noite tinha sido o dia de O Cantil, a versão depurada de A Excepção e A Regra (na verdade, apenas da primeira parte da bela peça didática de Brecht) do Teatro Máquina, dirigido pela brechtiana cearense Fran Teixeira. À noite vimos outro espectáculo sobre mulheres de imaginação galopante, O Pequeno Quarto ao Final da Escada, uma produção mexicana de uma peça… canadiana (é a terceira – só pode ser para irritar o país que está entre o México e o Canadá). Inspirada na fábula do Barba Azul, o espectáculo abre espaço para a imaginação ao deixar no ar a questão da origem da maldade do assassino; tudo teria corrido bem se os filtros de luz não tivessem começado a queimar durante a apresentação, impondo à encenação uma dramaturgia real, a do medo que o teatro pegasse fogo (o agora chamado Galpão do Coliseu, um espaço abandonado adaptado de propósito para o Mirada). Os portugueses AUs estrearam-se também no domingo com uma enorme fila pelo corredor fora para ver Herodíades.

Para fechar a noite fomos levados ao Ginásio do SESC Santos, onde Fernando Rubio apresentava uma instalação com centenas de peças de roupa estendida e espalhada pelo chão, comentada por uma série de actores, a partir das memórias (fictícias) de um sobrevivente de acidente automóvel que tinha de arrumar o vestuário dos perdidos entes queridos: Podem deixar o que quiserem.

Todo este post já está no tom de CÔLUNA SÔCIÁU, mas há sempre lugar para mais.

O chileno Mario e o boliviano Marcelo exigindo entrar no primeiro barco para a Fortaleza onde se apresentaria Hysteria.

Os agentes especiais Sidnei e Angélica depois de terem deixado a salvo a comitiva.

Os encenadores Cibele Forjaz e Mario Ernesto Sanchez confraternizando no encontro entre programadores e produtores teatrais de Domingo de manhã.

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