Lançar Diálogos: Crítica de Artes do Espetáculo e Esfera Pública (1)

Começou o encontro de crítica do FITEI, no Teatro Rivoli, com Ivan Medenica (da Faculdade de Artes Dramáticas, Belgrado, e da Associação Internacional de Críticos de Teatro) e Andrea Porcheddu (da Universidade de Roma), sobre “Formar críticos de teatro”. Um resumo feito agora mesmo, enquanto os ouço aqui no auditório Isabel Alves Costa:

Andrea Porcheddu começou por dizer que em Itália, tradicionalmente, a maior parte dos críticos não vinham das universidades, mas das redações: eram jornalistas que davam a sua opinião, conforme o ponto de vista do público. Nos anos 60, os críticos passaram a estar nos teatros, e adoptaram o ponto de vista dos artistas, passando a ser como tradutores entre os dois pontos de vista e, de certo modo, explicando o que os artistas estavam a fazer. A atual geração, que começou a escrever no fim dos 80, início dos 90, apanhou o momento em que os jornais deixaram de querer crítica, e hoje em dia publica muito na internet, em blogues especializados. Esta geração, além de ser praticamente auto-didacta, começou a ensinar também, através de workshops.

Ivan Medenica contou como, na Europa de Leste, a crítica vem sobretudo das escolas de teatro, onde teoria e prática estão juntas, e normalmente está associada ao departamento de dramaturgia. A prática da crítica é ensinada não nos departamentos de literatura, nem nas escolas de jornalismo, mas nos departamentos de teatro, ligada à prática teatral e aos estudos teatrais, ao mesmo tempo. No Leste, os críticos fazem parte do mundo do teatro. As gerações anteriores não foram criados neste contexto, que só passou a existir no pós-guerra; eram em geral intelectuais, com formação nas humanidades, cujas críticas se lêem ainda hoje com muito interesse. Na Alemanha, o sistema é semelhante, só que os críticos têm muito mais poder, que não deixam de exercer.

Essa influência vem do reconhecimento social, frisou Maria João Brilhante, aspecto que muda muito de país para país. A constituição da esfera pública, e a forma específica de cada uma delas, por país, leva a diferenças, que serão alvo de debate hoje e amanhã.

 

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